segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Negritude e futebol



Ainda estamos na senzala. Vivendo em favela e ocupamos o submundo e a periferia em todos setores da sociedade. Presos e cegos em uma parede onde refleti preconceitos raciais muito latente com formas diversas e, por fim, continuamos louvando a doutrina do sangue azul. Somos conduzidos a termos certas praticas, para selecionarmos e aceitarmos como belo e agradável de si ver determinada coisa e aparência estética bem definidas.
O diferente é tratado como algo igual e condicionante de valores e praticas, ou seja, negros e brancos teriam singularidades. Nossa sociedade é igual, com particularidades na estética negra e branca, veja como nos somos conduzidos a usar determinadas roupas, pensar igual, nossos pensamentos são comprados na mesma loja de grande departamento e atacado, nossa sociedade dita comportamento como diretrizes sociais. Ninguém é levado a ponderar nada e tudo pode ser dito e apontada sem si preocupa com consequências que podem ocorrer. Falando especificamente do negro eu sempre sentia no ar uma “colocação do negro no seu lugar”. Tudo que é ruim e degradante é ligado e veiculado a imagem do negro que estar cheio de mazelas por trás e essa questão iriam para além do tom de pele.
Toda vez que é mostrado um jogo de futebol pela televisão em Salvador e nas cidades do Nordeste brasileiro com sua maioria de torcedores negros e pobres aparece na “Grande Mídia” e nas redes sociais comentários ofensivos cheio de ironia, brincadeira e deboche. Esses comentários muitas vezes são uma forma de escondermos o nosso racismo de cada dia, pois, estar tão internalizado e normalizado essas formas de preconceitos que não conseguirmos entender o tão maléficos são estas práticas aparentemente "inofensivas".
Essa brincadeira, ironia e debochada de tratar as coisas é a forma que é velada o nosso racismo, assim, essas praticas discriminatórias passem como algo inocente e simples ingenuidades. Isso não é em vão e tem seus propósitos: submeter uma classe em detrimento à outra e manter as pessoas em pensamentos e discussões vazias para não entendermos e questionar nossas condições e posições na sociedade. Um ponto importante: isso ocorre também porque a beleza e estética negra ainda provoca furor quando é mostrado assim em rede nacional por essa "Grande Mídia" por vários motivos. Apontando uma direção de raciocínio entre tantos é o fato que esta beleza vista em grande quantidade em um Estádio de Futebol construído para poucos é entendido como algo pitoresco e não comum, desta forma, a imagem do negro ainda é relegado a periferias (de todo cunho social e ideológico) e a uma estética de ser entendido por seu lado irreverente, festivo, degradante e feio. O negro tem que ter sempre o seu lugar, ou seja, periférico!
Temos uma forma própria de torcer, mais alegres, mais despojados, ainda é uma atmosfera familiar a torcida baiana e nordestina por isto essa inveja. Como conseguirmos este tipo de torcer? Apesar de termos uma das torcidas mais fanáticas como é do E.C. BAHIA respeitamos as pessoas que torcem para times diferentes e isso incomoda muito. Claro que temos violência e brigas nos nossos Estádios, entretanto, não é uma coisa que é amplamente difundido em nossa sociedade.
Essas manifestações de brincadeiras das pessoas nas redes sociais e na Grande Mídia nacional só alimentam a baixa autoestima do negro, deixa-o fraco e o induz para renegar suas origem, assim, tudo que é negro é visto como algo ruim e não aceito pela própria pessoa negra. Isso configura a porrada cotidiana que nossa classe recebe. Nosso papel como negros é de luta e resistência para não tornar estas praticas comuns e cotidianas como já são. Temos que tentar amenizar essa violência elevando a autoestima do negro mostrando que essas imagens de degradações não viria do mesmo, mas, tem motivações e objetivos de submetê-lo e mantê-lo sempre no seu lugar de periférico em tudo na nossa sociedade.

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