Ainda
estamos na senzala. Vivendo em favela e ocupamos o submundo e a periferia em
todos setores da sociedade. Presos e cegos em uma parede onde refleti
preconceitos raciais muito latente com formas diversas e, por fim, continuamos
louvando a doutrina do sangue azul. Somos conduzidos a termos certas praticas,
para selecionarmos e aceitarmos como belo e agradável de si ver determinada
coisa e aparência estética bem definidas.
O
diferente é tratado como algo igual e condicionante de valores e praticas, ou
seja, negros e brancos teriam singularidades. Nossa sociedade é igual, com
particularidades na estética negra e branca, veja como nos somos conduzidos a
usar determinadas roupas, pensar igual, nossos pensamentos são comprados na
mesma loja de grande departamento e atacado, nossa sociedade dita comportamento
como diretrizes sociais. Ninguém é levado a ponderar nada e tudo pode ser dito
e apontada sem si preocupa com consequências que podem ocorrer. Falando
especificamente do negro eu sempre sentia no ar uma “colocação do negro no seu
lugar”. Tudo que é ruim e degradante é ligado e veiculado a imagem do negro que
estar cheio de mazelas por trás e essa questão iriam para além do tom de pele.
Toda
vez que é mostrado um jogo de futebol pela televisão em Salvador e nas cidades
do Nordeste brasileiro com sua maioria de torcedores negros e pobres aparece na
“Grande Mídia” e nas redes sociais comentários ofensivos cheio de ironia,
brincadeira e deboche. Esses comentários muitas vezes são uma forma de
escondermos o nosso racismo de cada dia, pois, estar tão internalizado e
normalizado essas formas de preconceitos que não conseguirmos entender o tão
maléficos são estas práticas aparentemente "inofensivas".
Essa
brincadeira, ironia e debochada de tratar as coisas é a forma que é velada o nosso
racismo, assim, essas praticas discriminatórias passem como algo inocente e
simples ingenuidades. Isso não é em vão e tem seus propósitos: submeter uma
classe em detrimento à outra e manter as pessoas em pensamentos e discussões
vazias para não entendermos e questionar nossas condições e posições na
sociedade. Um ponto importante: isso ocorre também porque a beleza e estética
negra ainda provoca furor quando é mostrado assim em rede nacional por essa
"Grande Mídia" por vários motivos. Apontando uma direção de
raciocínio entre tantos é o fato que esta beleza vista em grande quantidade em
um Estádio de Futebol construído para poucos é entendido como algo pitoresco e
não comum, desta forma, a imagem do negro ainda é relegado a periferias (de
todo cunho social e ideológico) e a uma estética de ser entendido por seu lado
irreverente, festivo, degradante e feio. O negro tem que ter sempre o seu
lugar, ou seja, periférico!
Temos
uma forma própria de torcer, mais alegres, mais despojados, ainda é uma
atmosfera familiar a torcida baiana e nordestina por isto essa inveja. Como
conseguirmos este tipo de torcer? Apesar de termos uma das torcidas mais
fanáticas como é do E.C. BAHIA respeitamos as pessoas que torcem para times
diferentes e isso incomoda muito. Claro que temos violência e brigas nos nossos
Estádios, entretanto, não é uma coisa que é amplamente difundido em nossa
sociedade.
Essas
manifestações de brincadeiras das pessoas nas redes sociais e na Grande Mídia
nacional só alimentam a baixa autoestima do negro, deixa-o fraco e o induz para
renegar suas origem, assim, tudo que é negro é visto como algo ruim e não
aceito pela própria pessoa negra. Isso configura a porrada cotidiana que nossa
classe recebe. Nosso papel como negros é de luta e resistência para não tornar
estas praticas comuns e cotidianas como já são. Temos que tentar amenizar essa
violência elevando a autoestima do negro mostrando que essas imagens de
degradações não viria do mesmo, mas, tem motivações e objetivos de submetê-lo e
mantê-lo sempre no seu lugar de periférico em tudo na nossa sociedade.
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