Afinal
o que estaria por trás de afirmações como: “baiano é tudo mal educado”, “baiano
se comporta como um bicho”, “baiano não respeita ninguém”, “baiano é tudo
animal”, entre outros. Será uma nostalgia fascista e nazista tão involuntária e
inocente que sai de nossas bocas como um grito de socorro para atenuar nossos
problemas humanos? Ou simplesmente é uma atestação frívola e cativante de como
nós somos egoístas ao ponto de nos autocensurarmos sem uma ideia clara sobre
estes conflitos sociais?
A
elegância de solucionar esses anseios perpassaria por nossas cabeças como se
tão somente no outro estive um mal, como se a figura do outro fosse o balsamo
ou origem de nossas mazelas sociais, assim, esta mesma representação do outro
apareceria como um espelho que repetiria tudo de abominável para nós mesmo.
Consequentemente, sem um motivo aparente, estas mazelas que acometem
brutalmente a vida social do soteropolitano aparecem como um passe de mágica,
como algo sobrenatural que todos desconhecessem suas razões de ser mesmo todos
sabendo de sua perene e insistente ou mal explicada existência.
No
convívio cotidiano e ordinário em Salvador do Estado da Bahia fica a impressão
que vivemos em uma cidade de pessoas animalizadas e sem educação. Em tudo que é
comportamento social só enxergamos a falta de zelo de todos! Vivemos em um
Município que não fornece para seus habitantes o mínimo de infraestrutura
básica para que o mesmo possa ter uma vida digna ou pelo menos com poucas
atribulações. Como querer conduta a “La Europeia” de um povo destes?
Tudo
é uma dificuldade para conseguir, nesta perspectiva, verifico o que estaria
mais próximo para a maioria da população pobre é uma alimentação precária,
saúde deficitária, subemprego em regime de escravidão, péssima acesso a uma
educação de qualidade. Isto é cerceado por um salário que não cobre estas e
outras despesas de um soteropolitano. Também tudo aqui parece que é feito de
qualquer jeito pela administração pública. Pagamos nossos impostos e não temos
retornos satisfatórios nos serviços básicos de infraestrutura da cidade.
Estamos
inseridos em uma degradação humana tão forte que acaba refletindo diretamente
no trato como o Soteropolitano ver sua cidade e, consequentemente, mexe de
alguma forma com as relações interpessoais das pessoas. Essa degradação acaba
como sendo direcionado em tudo na cidade. Por isto temos a sensação de desleixo
geral das pessoas com Salvador e seus habitantes, Em suma, como a cidade é
conduzida politicamente nos introduz numa atmosfera de esculhambação plena.
Assim é colocado nas nossas mente das pessoas uma imagem degradante de nós
mesmos e assim acabamos reproduzindo esta esculhambação em todos os níveis de
interação e convívio social em Salvador.
Mergulhados
nesta submissão política/mental o soteropolitano não consegue ver a violência
que é isto. Um contraponto: isto é até fortificado por um comportamento
espontâneo do baiano que teria um jeito de ser alegre apesar das porradas
cotidianas, tentando enxergar o lado positivo das coisas. Dizem que é um povo
hospitaleiro... Será mesmo? E o aumento da violência na nossa capital? Tudo que
vejo é degradação e desordem em Salvador. Não é só culpa das más administrações
políticas, porem, isto gera e potencializa nosso lado humano que concebo mesmo
que seja de animalização, autodestruição e degradação. Sei que até hoje não
somos constituídos socialmente como uma nação com metas e bens comuns isso pode
até ter consequência das misturas étnicas que tivemos em nossa construção histórica,
mas, isso não deveria ser uma desculpa para maltratarmos nossa cidade.
Você
perguntaria: tá bom o pobre é mal educado porque não teve acesso a boa educação e vive em um ambiente hostil no modo
que a sociedade o ver, porem, porque os ricos, os abastados são tão estúpidos e
mal educados também? O comportamento dos abastados baianos seria equivalente ao
do senhor feudal onde eles acham que podem fazer o que quiser sem dar nenhuma satisfação
a ninguém e com a má formação da mesma com sua educação péssima e tardia que
todos tiveram, afinal, sofremos o resquício de senhor e escravo em toda
sociedade soteropolitana. Ou seja, permanece para toda cidade a sensação de
impunidade com uma vida social sem ordem e disciplina.
Por
fim, entendo que ainda não conseguirmos introduzir na nossa sociedade
soteropolitana a ideia que a nossa cidade é algo para todos usufruírem e cuidar
da melhor forma possível e a preservação da mesma não pode ser relegada aos
nossos representantes políticos exclusivamente, portanto, temos que colocar na
cabeça das pessoas que mesmo com varias e varias maneiras de entender e viver
em Salvador temos que toma-la como um bem comum a todos.
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