domingo, 16 de fevereiro de 2014

Barbárie Soteropolitana



Afinal o que estaria por trás de afirmações como: “baiano é tudo mal educado”, “baiano se comporta como um bicho”, “baiano não respeita ninguém”, “baiano é tudo animal”, entre outros. Será uma nostalgia fascista e nazista tão involuntária e inocente que sai de nossas bocas como um grito de socorro para atenuar nossos problemas humanos? Ou simplesmente é uma atestação frívola e cativante de como nós somos egoístas ao ponto de nos autocensurarmos sem uma ideia clara sobre estes conflitos sociais?
A elegância de solucionar esses anseios perpassaria por nossas cabeças como se tão somente no outro estive um mal, como se a figura do outro fosse o balsamo ou origem de nossas mazelas sociais, assim, esta mesma representação do outro apareceria como um espelho que repetiria tudo de abominável para nós mesmo. Consequentemente, sem um motivo aparente, estas mazelas que acometem brutalmente a vida social do soteropolitano aparecem como um passe de mágica, como algo sobrenatural que todos desconhecessem suas razões de ser mesmo todos sabendo de sua perene e insistente ou mal explicada existência. 
No convívio cotidiano e ordinário em Salvador do Estado da Bahia fica a impressão que vivemos em uma cidade de pessoas animalizadas e sem educação. Em tudo que é comportamento social só enxergamos a falta de zelo de todos! Vivemos em um Município que não fornece para seus habitantes o mínimo de infraestrutura básica para que o mesmo possa ter uma vida digna ou pelo menos com poucas atribulações. Como querer conduta a “La Europeia” de um povo destes?
Tudo é uma dificuldade para conseguir, nesta perspectiva, verifico o que estaria mais próximo para a maioria da população pobre é uma alimentação precária, saúde deficitária, subemprego em regime de escravidão, péssima acesso a uma educação de qualidade. Isto é cerceado por um salário que não cobre estas e outras despesas de um soteropolitano. Também tudo aqui parece que é feito de qualquer jeito pela administração pública. Pagamos nossos impostos e não temos retornos satisfatórios nos serviços básicos de infraestrutura da cidade.
Estamos inseridos em uma degradação humana tão forte que acaba refletindo diretamente no trato como o Soteropolitano ver sua cidade e, consequentemente, mexe de alguma forma com as relações interpessoais das pessoas. Essa degradação acaba como sendo direcionado em tudo na cidade. Por isto temos a sensação de desleixo geral das pessoas com Salvador e seus habitantes, Em suma, como a cidade é conduzida politicamente nos introduz numa atmosfera de esculhambação plena. Assim é colocado nas nossas mente das pessoas uma imagem degradante de nós mesmos e assim acabamos reproduzindo esta esculhambação em todos os níveis de interação e convívio social em Salvador.
Mergulhados nesta submissão política/mental o soteropolitano não consegue ver a violência que é isto. Um contraponto: isto é até fortificado por um comportamento espontâneo do baiano que teria um jeito de ser alegre apesar das porradas cotidianas, tentando enxergar o lado positivo das coisas. Dizem que é um povo hospitaleiro... Será mesmo? E o aumento da violência na nossa capital? Tudo que vejo é degradação e desordem em Salvador. Não é só culpa das más administrações políticas, porem, isto gera e potencializa nosso lado humano que concebo mesmo que seja de animalização, autodestruição e degradação. Sei que até hoje não somos constituídos socialmente como uma nação com metas e bens comuns isso pode até ter consequência das misturas étnicas que tivemos em nossa construção histórica, mas, isso não deveria ser uma desculpa para maltratarmos nossa cidade.
Você perguntaria: tá bom o pobre é mal educado porque não teve acesso a boa  educação e vive em um ambiente hostil no modo que a sociedade o ver, porem, porque os ricos, os abastados são tão estúpidos e mal educados também? O comportamento dos abastados baianos seria equivalente ao do senhor feudal onde eles acham que podem fazer o que quiser sem dar nenhuma satisfação a ninguém e com a má formação da mesma com sua educação péssima e tardia que todos tiveram, afinal, sofremos o resquício de senhor e escravo em toda sociedade soteropolitana. Ou seja, permanece para toda cidade a sensação de impunidade com uma vida social sem ordem e disciplina.
Por fim, entendo que ainda não conseguirmos introduzir na nossa sociedade soteropolitana a ideia que a nossa cidade é algo para todos usufruírem e cuidar da melhor forma possível e a preservação da mesma não pode ser relegada aos nossos representantes políticos exclusivamente, portanto, temos que colocar na cabeça das pessoas que mesmo com varias e varias maneiras de entender e viver em Salvador temos que toma-la como um bem comum a todos.  

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