Mais um dia cinzento qualquer que se inicia;
Acendo um cigarro para ajudar a pensar;
Fecho os olhos para perfeitamente me deliciar com a agonia
das minhas vísceras;
Para sentir todas as dores que estão rasgadas no meu corpo
todo;
Na minha frente sobre a mesa uma garrafa cheira de vinho;
Tantos sentimos ruins destroçam o pouco de alegria que possa
ter;
Esperanças e sonhos há muito tempo estão na lápide que minha
vida é;
Tudo se repete em uma dança diabólica.
Minha própria imagem é desprezível;
Minha maior nostalgia é sabe que;
Todos meus gostos e interesses são sempre os mais
degradantes possíveis;
O ar me sufoca;
As pessoas me enojam;
Só caminho entre doenças e desespero;
Sempre é o mesmo gosto amargo de viver;
É como se eu tivesse numa caixa;
A sensação é de estar sempre no mesmo lugar.
Pego o vinho em cima da mesa;
Dou uma bela colada;
Dou outra tragada no cigarro;
Olho para o relógio e as horas parecem que não passam nunca;
Fecho os olhos e ouso o nervoso silêncio que paira no ar;
Mais um dia de calor infernal;
Ninguém perto para fazer uma piada cretina;
O que resta é sorrir do belo filho da puta que sou.
A noite lá bem no canto da sala do antro que é minha casa;
Meu rádio toca como sempre as mesmas músicas vagabundas;
O que sobrou para comer foi um pedaço de bife estragado;
Sinto um tesão descomunal;
Nem tem uma bela de uma prostituta ou uma mulher qualquer;
Pra dar uma bela de uma trepada bem bem gostosa.
Percebo que o clima estar tenso;
Sinto na minha boca o gosto inconfundível da morte;
A morte me quer eu sei;
Todos os dias ela fala comigo;
Diz que tem um mundo
de maravilhas me esperando;
Acabam os cigarros e o vinho;
E a noite segue com a mesma rispidez de outrora;
E eu aqui nessa mesma merda de existência.
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