Hoje fiz uma leitura da Calourosa 2011 da UFBA! Nada sofisticado, pois, nesta recepção aos novos alunos da nossa Universidade o importante é mostrar logo de cara aos mesmos todo o descaso.
Faço uma leitura daquilo que me diverte muito mais que a música que toca, porque, sem contar que num determinado momento, a sua companhia interessante achou algo melhor para fazer, pois, entre entorpecentes lícitos ou não aquele/a companhia chata que só mesmo nas horas do desespero decide que você será a sua companhia até o fim da noite.
Observo ao meu redor e vejo algumas coisas: um público chatinho sendo obrigado a dividir espaço com bichas pão com ovo concentradas no PAF I, um monte de donzelos da Politécnica olhando para bunda das menininhas, os Emos da Facom bebendo Redbull e desfilando de All Star, o povo de Dança inventando coreografias para música falada, o povo de arte declamando poesias, e os da Escola de Música tocando violão no teu show particular nos cantos do espetáculo, os grupos e entidades políticas tentando angariar membros e o DCE fazendo lavagem cerebral na galera, os tarados de São Lázaro tentando se passar por mauricinhos e o melhor: um monte de vacas vacinadas fazendo charminho de mocinha tentando achar um macho para esquentar o que já está pegando fogo, os alunos de Medicina e Direito - mesmo aqueles pobres ficam horrorizados com o espetáculo - as mal-amadas de Pedagogia precisam ir para casa cedo senão vão perder a Missa das 7 e o pedido todo mundo sabe qual é: Homem! Os de Odonto só se preocupam com o preço das suas ferramentas, as de enfermagem têm que sempre imitar as de Direito e de Medicina na pose. É muita atração num único lugar!
Mas isto para um primeiro impacto é para esconder alguns problemas sem importância da nossa saudosa Universidade: falta de salas de aula e professores, nenhuma segurança, obras super faturadas e inacabadas, bolsistas de Iniciação Científica como empregados e capachos de professores, Docentes semi-deuses e servidores que o melhor que podem fazer é brigar em disputas sindicas (com ressalvas é claro), e a Assistência Estudantil confere bolsas para galera que tem carro e mora em bairros nobres. O serviço médico com residentes indispostos a melhorar suas performances no atendimento ao público que certamente, ao menos uma vez, marcará uma consulta com o psicólogo.
Uma coisa é certa: a música, o momento e a festa serão facilmente esquecidas pela grande maioria, que - diga-se de passagem - não são calouros. O grande evento será lembrado apenas durante a ressaca daqueles que tomarão uma cachaça mal fumada, das piriguetes que conseguirão fisgar um babaca para pagar uma breja e claro: por aqueles que irão exibir uma mochilinha cinza, sem graça e uma agenda de papel reciclado que só reafirma um pensamento arcaico e ultrapassado desta instituição que insiste em reciclar a mesmice de calouros se achando a cereja do bolo e os veteranos tendo a certeza de que são as moscas que pousam na cereja deste bolo, que diga-se de passagem é doido.
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