sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Música Popular




Queria que este pequeno texto fosse enxergado como uma provocação para podermos refletir sobre o papel da música dita como popular na nossa sociedade brasileira atual. Abordando aspectos da cidade de Salvador analisando alguns dos supostos alicerces para o barulho nosso de cada dia na cidade de salvador, ressaltando assim entre outras questões, como esta música é vista e consolidada em nossa sociedade.

1 – Música e desenvolvimento histórico no Brasil

Música popular não é só domino técnico de harmonias e arranjos para apreciamos suas experiências sonoras como era concebido a música europeia clássica. Ou para fortificar cultos religiosos em varias sociedades antigas, ou ainda, parte integrante da pedagogia formadora de determinada sociedade. Na Era Moderna a música popular tornou-se uma extensão do homem, também, tornou-se expressão cultural e mecanismo de passar mensagens culturais diversas, pois, pela sua resposta rápida para quem recebe ela de longe é a mais bem sucedida em relação a outros tipos de arte como a pintura ou as artes plásticas, por exemplo, que requer certos conhecimentos teóricos para serem entendidas. Sons repetitivos que penetram em nossos sentidos devido a repetições harmônicas bem simples, músicas que privilegiam as letras (canções), arranjos e harmonizações feitos com qualquer instrumento musical como os mais populares que “não requer” um estudo muito sofisticado e são os mais fáceis de serem adquiridos na nossa população como é o caso do violão, sanfona, instrumentos percussivos, cavaquinho, também nossa herança tribal e campestre que utiliza a música para legitimar suas raízes, etc. Facilita a aproximação do povo com a música popular. Música popular mesmo sem querer passar nada de mensagens, porem, como ela é trabalhada, desenvolvida tecnicamente para quem a compõe pode nos passar todo tipo de emoções, amor como ouvimos uma música romântica, raiva quando ouvimos Heavy Metal, libidinagens como ouvimos MPB, ou protesto ao ouvir Rap, da vida campestre da música sertaneja, alegria no Axé Music. 


Um povo como o nosso que teve durante toda sua construção histórica uma educação precária e desigual entre as camadas sociais mais pobres adotou a música popular como sua principal manifestação artística e "choro" do teu próprio cotidiano (música como modo de vida), deste jeito, a música para um país como o Brasil passa a ser uma referência de teu íntimo, substituindo assim a educação formal em alguns aspectos na formação cultural e social do cidadão. A música popular é uma das formadoras do Ser ordinário social do Brasil. A música popular tem a característica de ser uma manifestação artística de entendimento rápido entre o destinatário e remetente, logo, esta harmonização sonora "simplória" muitas vezes suplanta a suposta mensagem que a música pode querer passar, tem ainda o lado plástico experimental que os sons brincam e mexem com nossas racionalidades. Na música popular o povo pobre até certo ponto se identifica como pertencente a algo e onde este mesmo povo pobre ganha voz e visibilidade dúbia
 
A música popular nestes aspectos citados acima e entre muitos outros por não precisar necessariamente de uma reflexão contundente e crítico ou dar alento as nossas angústias ou desejos variados, substitui a educação institucionalizada de nosso povo.  As camadas dominares usa este meio para castrar o povo e manter todo mundo conformado com sua situação de miséria social, mas, se a música popular for vista como mero entretenimento ou mero mecanismo de prazer, conceitualmente ela não terá preocupação ou poder incisivo de passar mensagens que tenham algum valor relevante pra construção de reflexões sofisticados e importante para o aprimoramento crítico social. É desta forma que se serve as camadas dominantes de nossa sociedade!

A música popular clássica muitas vezes de influência Europeia ou estrangeira em geral, remete a todo um arcabouço de sofisticação de quem a faz e a consome, ela é feita pela parte dita dominante da sociedade, logo, concebida como idealismo ou baluarte de afirmações preconceituosas, ela é sempre o parâmetro de analise e comparação do que seja bom para ouvir, um exemplo disto é o surgimento da Bossa nova como a salvação, resgate ou refinamento do samba visto como uma música arcaica e primitiva até então pela elite Brasileira.

As camadas pobres de nossa sociedade em sua grande parte muitas vezes sem enxergar ou terem consciência disto, endeusam esses músicos populares esperando respostas para suas mazelas sócias, sempre circulando em reflexões de cunho ativadores de protestos, minimizador de angústias ou entretenimento, porem, a música para este papel seria um dispositivo, uma maneira rápida para mostrar qualquer tipo de conhecimento ou prazer, pois, ela como arte não é responsável por entender ou refletir a nossa sociedade. Qualquer tipo de construção ou virada cultural em uma dada historia do ser humano na sociedade toma a música popular como mero mecanismo de proliferar deste novo momento. Assim a música popular seria um dispositivo facilitador de norteador de todo tipo de conhecimento.

         Por fim a algumas contradições na música popular pra o brasileiro ou qualquer povo ocidental, ela aliena por não ter a necessidade de dar respostas criticas para nada no mundo,ela se mantém como mecanismo norteador de manifestação de uma determinada cultura de uma sociedade e de outro lado serve como legitimação de privilégios de camadas dominantes de nossa sociedade!

2- Algumas questões sociais em Salvador sobre a música.

É irritante e complicado suportar o barulho o dia inteiro dos aparelhos auditivos portáteis, batuques em ônibus, sons de carros, pregação religiosas pelas ruas, sons de bares e das caixas de som dos vizinhos em alguns bairros e por toda parte de Salvador, pois, para eles nada de ruim perpassa esta atitude de barulho intermitente. Tipo de comportamento geralmente apontado para os cidadãos da periferia, mas, é válido percebermos que também nos bairros de classe média em Salvador é crescente estes comportamentos, porque, os ícones músicas são os mesmos para todos, e por ter durante o ano  diversos tipos de festivais de música popular de fácil acesso a população que fortificar estes comportamentos.

Por entender que a principal referencia cultural popular em nossa cidade é a música, concebo que estamos inseridos num panorama musical onde esta expressão artística dita comportamentos e modos de convívios sociais (em todas as camadas da pirâmide social), um dispositivo de poder e de opressão a servido do Estado ou de forças políticas para manter certos comportamentos de conformismo na nossa sociedade, tanto na classe operária quanto na classe média sofrem estas influências, assim, ocorre à generalização deste conformismo por todos os cantos da cidade.

O povo sente-se representado pela música popular para além da mensagem que é supostamente transmitida ela esconde comportamento que os setores de dominação social desejam que o povo tenha para permanece no teu estagio de submissão, exemplo disto é o Pagodão Baianos que começou como uma manifestação cultural dos anos 2000 para dar voz e visibilidade às mazelas do gueto e dos bairros pobres, que hoje em dia com a popularidade deste estilo musical, sofreu transformações e o Pagodão Baiano é visto como música de vagabundo, de gente marginalizada.  Mas não devemos esquecer que esta música popular serve como inclusão social de pessoas marginalizadas, narra histórias e preserva de alguma formar manifestações tradicionais da nossa cidade. Órgão de respaldo em toda cidade de Salvador devido a usa história de formação e inclusão social da população pobre e negra como Olodum, Malê,Ilê Aiyê, Pracatum, entre outros desenvolvem projetos sociais muito antigos e consolidados oferecem não só formação profissional em música, também em outras áreas de atuação profissional.
            
            Questões políticas e estruturais que vem perdurando nossa cidade durante toda sua história como má gestão dos poderes políticos, um dos piores IDH do país, o aumento do desemprego, precária mobilidade urbana, manutenção de um comportamento histórico de descompromisso com o que é público, Falta de espaços e de opções de lazer em toda cidade, individualização elevada, Sistema Educacional regional sucateado, massificação midiática de uma ideia de eterna busca pela felicidade entre outros, norteiam a vida cotidiana de nossa cidade e dar suporte a este tipo de comportamento incomodativo em relação aos barulhos que as pessoas fazem em Salvador de um modo geral. 

Por fim, para pensar estes problemas do barulho em Salvador, podemos ser levantas para facilitar a compreensão do assunto abordado ou ser um bom caminho para descobrimos saídas deste incomodo que atinge toda cidade deixar algumas perguntas no ar assim: como o nosso Estado se desenvolveu na sua história? Como este comportamento social foi construído e para quais motivos?  Terá soluções a médio e longo prazo? Tendo soluções quais seriam? É relevante para Salvador pensar estes assuntos?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

“Musicologia” do Pagodão baiano




Quero com este texto pensar como o Pagodão baiano se insere e paira na sociedade baiana com suas aplicações, referências e verdades que são presença constante no nosso dia-a-dia. Pois, entendo que este gênero musical na Bahia, mas especificamente em Salvador, tem um apelo social enorme ditando regras e modos de vida na sociedade, deste modo, o debate sobre o Pagodão baiano estaria para além do meramente musical.
É uma sensação mágica... Uma eterna brincadeira inocente... Um mundo de sensações e desejos incontroláveis... Num dia de tão formoso sol que parece ser os olhos de todos os Deuses e Orixás que disputam e clamam a atenção dos baianos a cidade acorda mais uma vez. Por todas ladeiras, praças, becos e ruas de Salvador, ouve-se uma música alegre e ritmada pelos tambores swingados e cheios de africanidades.  Que também tem a sistematização sem sabor da música europeia. Tem Ásia, tem todos os continentes numa mistura de orgia sensual. Quase que um presente divino para ser contemplado com nostalgia e jubilo.
Uma música que ti leva a um transe, que ti faz delirar, que involuntariamente passa por todo seu corpo fazendo você mexe e se remexer sem parar. Se esta música tiver um cheiro característico você sentira a fragrância do azeite de Dendê oriundo dos vários quitutes dos tabuleiros das Baianas do Acarajé espalhados pelos quatro cantos da cidade de Salvador. Você consegue perceber em cada expressão: na dança pueril de uma criança, no corpo negro, maduro e bronzeado a rebolar e a se esfregar um no outro, em cada olhar, no sorriso largo que parece que vai saltar da boca, nas manifestações de flerte mudo, no toque de pele que parece que vai invadir suas entranha e lhe proporcionar prazeres indescritíveis.
Mesma pele que carrega as marcas de tantas lutas ancestrais. Não é uma alegria fortuita e passageira. Não... É uma alegria que identifica e legitima a baianidade com toda sua criatividade própria e particular. Com toda sua mistura étnica. Mesmo usada de foram “vulgar” por alguns, entretanto, esta música narra de foram irônica e festiva toda fome e miséria deste povo sofrido e carente, porém, forte, alegre e determinado. Esta música penetra na verdadeira “alma baiana”, ajuda a nos relevar este comportamento tão singular e reverenciado por poucos. A Bahia pode ser conhecida e definida por todos seus sons extraídos de todo suas influências misturadas de teu povo, pois, ela tem uma história própria e cativante.
Hoje em dia essas canções do Pagodão baiano que é a transformação moderna do pagode irônico e reverente desenvolvido na Bahia que cheira a periferia talvez não tenha o mesmo charme padronizado e ultrapassado de um Chico Buarque; nem a forçada poesia chata e burguesa de um Vinicius de Morais; nem a suposta e obscura genialidade dos versos inconfundíveis de Caetano Veloso; nem a tão reverenciada soberania decadente de Roberto Carlos; ou o mais do mesmo da inventividade dos acordes de João Gilberto; muito menos ainda o requinte simples e repetitivo de um Cartola, porém, tem o suor, tem alegria extrema, o jubilo frenético de festividade, tem todo um corpo suado a interagir com outro e a remexer-se numa atmosfera de “eterno convite e provocação”. Se analisarmos segundo um víeis pautado na Escola de Frankfurt e tomarmos como integrantes de uma certa Industria Cultural as canções destes compositores (do Pagodão baiano e os ditos sofisticados), será que a proposta de uma intenção de passar algum tipo de mensagem não seria a mesma para todos?
 A canção como gênero musical está norteada na mensagem, na união de melodia e letra, assim, o que diferenciaria as letras do Pagodão com sua ambiguidade, reverência, e simplicidade, não seria nossas predileções ao que entendemos como sofisticado numa letra de musica cheia de metáfora e imagens apoteóticas de um lirismo onde muitas vezes não correspondem a real interação crua das pessoas na sociedade? Poesia em refinamento é para determinar separações de classes e sustentar comportamentos de camadas e estabilidades sociais, deixar o povo na inércia, mostrando glamour faraônico. 
Arte é interpretação livre, que vai pra além da racionalidade norteado quase que plenamente no simbólico e no transcendente, desta forma, podendo sair de lugares inimagináveis, assim, o que aterroriza uma música como essa, ou seja, o Pagodão Baiano, é a imoralidade, promiscuidade e imagem de animalidade legado aos pobres (classe operária) em toda nossa história brasileira. Para além de todas as distorções e apelos sexuais que esta música pode ter para uma camada da sociedade dita sofisticada esta música tem antes de tudo a cara da favela de Salvador!
O Pagodão baiano é feito principalmente por artistas oriundos muitas vezes das favelas da cidade de Salvador, eles enxergam neste tipo de música um mecanismo, uma maneira de ascender socialmente e não serem mais hostilizados pela sociedade, resgatando sua alto estima e respeito como cidadão. Estes artistas pertencem na maioria das vezes à chamada classe pobre, classe essa que está imersa numa atmosfera de idealizações degradantes que definiriam determina imagens que poderiam ter destes indivíduos: animalização da personalidade do individuo, sexualização extrema do corpo, índices alarmantes de analfabetismo funcional, racismos sofridos, padronização de beleza e comportamentos, bestialização, todos os tipos de exclusão social, falta de estrutura básica para sobreviver como uma boa moradia, educação de qualidade, transporte, alimentação adequada, violência acentuada nas suas diversas modalidades, etc..
Também esses pobres atuam em subempregos, onde os deixam sempre emergidos neste caos sem perspectiva de melhora a curto e longo prazo, assim, não o gabarita obter o que esta mesma sociedade lhe mostram como objetivos de vida do “cidadão comum”. O cidadão comum é definido através de condutas morais norteadas pelas diversas influencias das instituições sociais que o rodeiam. Implantam no imaginário destes cidadãos certas metas que ele teria de alcançar, entretanto, a sociedade não lhe fornece os suportes necessários ficando para poucos os recursos para ter uma digna e saudável vida. Logo, o individuo é valorizado, é visto e respeito por aquilo que ele possui financeiramente. Suas posses e rendas.
O Pagodão baiano também seria o mecanismo ou dispositivo onde o pobre marginalizado retrata de forma simples e direta os valores vazios que esta mesma sociedade lhe impõe. Ou ainda, como esta sociedade enxergaria a camada pobre da cidade. Funcionaria também como uma forma das camadas privilegiadas da sociedade manter o povo cativo e subjulgado aos desmandos das classes formadoras de opinião e principalmente os políticos.
Valorização exagerada de nossas imagens, vaidade que é fortificada pela sociedade moderna. Que tem anseio e falta porto seguros para ajuda-lo a refletir e viver bem consigo mesmo, para questionar determinados valores impostos como verdadeiros e únicos e não refutáveis. Perca de um porto-seguro, não para nos viramos fundamentalistas, dogmáticos, mas, para termos referências substâncias. O vazio no individuo se transforma em uma muralha pra que o mesmo um não enxergue o outro e tudo fique indiferente.
Os desmandos dos políticos em Brasília, a punição severa dos pobres e ao mesmo tempo a impunidade para os ricos não seria um sintoma disto? Não é sutilmente trabalhada a alienação, para nos deixar acomodados com tudo no nosso país?
 E a Grande Mídia capitaneada pelos programas de televisão não seria o principal propagador destes valores vulgares para a população? Pois, a televisão é o principal meio onde a maioria dos brasileiros se informam, adquirem cultura e se educam. Mesmo com o crescente acesso a internet e outros meios de informação, mesmo assim, é a televisão que norteia e dita às regras de tudo no cidadão brasileiros.
Verificamos neste movimento musical valorização de certas imagens e referências, de vidas específicas palpadas em comportamentos esdrúxulos, pois, se o Pagodão baiano é associado a uma imagem vinculada a vulgaridades e bestialidades é o espelho fiel da situação social destes pobres marginalizados. A degradação humana vivida no cotidiano nas favelas de Salvador é mostrado neste movimento musical que combina música e comportamento com sua beleza mal tratada, sua linguagem monossilábica quase que rosnada, seu comportamento beirando a animalidade, formando assim, uma “expressão cultura” autêntica.  Não quero esconder o comportamento esdrúxulo e as consequências destes constantes apelos a sexualidade/libidinagem que possa vir a ocorrer, mas, porque não podemos também analisar como recurso da ironia baiana, da brincadeira sem malícia, reverência de dizer algo? Esta mesma música sexualizada que tão explorada por toda sociedade, é vitima de preconceitos, pois, é feita por gente sem educação, animalizadas e a margem do que a sociedade entende como comportamento adequado.
Uma questão: afinal qual é o propósito de tanta exposição sexual contida no Pagodão baiano atualmente? Será uma brincadeira artística sem propósitos políticos? Será para submeter às classes populares e legitimar o poder das classes dominantes? Será para alienar a sociedade? Será o pão e o circo moderno? Pois, a música sexualizada de uma forma cômica enfoca a degradação humana. Expõe-lhe, mexe com sua intimidade e se confunde com o mesmo. Torna-se objeto e passa a ser especulada, adaptada para ser a principal referencia antropológica e sociológica da população pobre. Existe um verdadeiro bombardeio destas músicas sexualizadas (pagodões baianos, Funk carioca, etc.) nos diferentes meios de comunicação (internet, programa televisivo, rádio, etc.) com o fim último de entreiter e cativar toda população. Claro que não só as classes pobres. Porém, essas são as mais que sofrem diretamente com isto.
Com esta mesma forma cômica, revela toda falta de cuidados que o Estado tem com esta camada da sociedade. Revela as diferentes mazelas que este povo sofre, porem, esta exposição é conduzida de uma foram tão planejada que o povo não percebe que esta sendo manipulada. A criança desde cedo nasce para rebolar e se deprava sem direito a conhecer algo novo e mais saudável e instrutivo para a mesma. As classes privilegiadas e o Estado Brasileiro colocam em exposição toda fase degradada do povo pobre, pois, através do incentivo deste tipo de música, a classe pobre “sem saber” tomam a sua sexualidade como modo de vida e tudo que eles fazem e são ligados a vulgarização.
Analisemos uma imagem tão cantada nas músicas do Pagodão baiano, ou seja, a garrafa de uísque seria, portanto, o alcance desejado do status, do vencer na vida, do mostrar pra as pessoas da sociedade poder. O uísque é o símbolo da sua entrada da legitimação do individuo como pertencente a algum lugar, a estar inserido no padrão de vivência que a sociedade imagina como ideal para individuo. O uísque é chave e a permissão, o uísque é o que o igualaria o pobre do rico, é o poder consumi o que é bom, que é visto como objeto dos vencedores. O uísque é o símbolo do sucesso da ascensão social, a redenção, o auge, o fim. A posição social privilegiada, agora ele é gente, a favela não mais o identifica-o o representa como toda a representatividade negativa que este lugar pode ter.
Em um modo geral a sociedade ver você com reflexões estabelecidas com ideias. Ora, tudo é para passar, todos nossos sentimentos são dirigidos a terem predileções e gostos para determinadas coisas. Nossas sensações são mascaradas por apelos fortes a coisas vazias e ao descartável. Nossos sentimentos, emoções, gostos, mudam com uma velocidade incrível, o efêmero tornou-se o objeto primeiro de nossas vidas. o individuo tem que passar ou corresponder a determinados objetos estabelecidos nas relações sociais. Certas condutas são norteadas por diversos seguimentos institucionais ou em toda rede social.
Existe em nossa sociedade todo um panorama de exposição dessas músicas sexualizadas no intuito de deixa o povo no estado permanente de degradação de sim mesmo sem ter forças para reclamar ou vislumbrar mudanças concretas de sua posição e afirmação humana. Mesmo que o Pagodão baiano seja visto como expressão cultural, modo de ascensão social, ou ainda, importante meio propagador de alienação social pelo Estado, ela é antes de tudo um ótimo mecanismo para questionarmos nossa sociedade brasileira com seus comportamentos, verdades, imposições e referências.  Mesmo que o Pagodão baiano esteja mais fortemente hoje em dia ligado a certa Industria da Cultura que tem a proposta de criar uma música com conotação de arte popular para entreter o indivíduo, e também como mecanismo de manipulação social, esta música carrega no imaginário do nosso povo algo de raiz de pertencimento, de identidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

EU QUERO SER PRA VOCÊ




Eu quero ser pra você;
Um caminho que você passe pra desfrutar tudo que é sensação e desejo;
Eu quero ser pra você;
Uma beleza tão indizível e estapafúrdia que chega até ser irracional cogitá-la;
Eu quero ser pra você;
Algo factual não algo passível de idealizações bestais;
Eu quero ser pra você;
Algo pra ti envolver num amor inconfundível e incontrolável;
Eu quero ser pra você;
Um absoluto vazio completo;
Eu quero ser pra você;
Algo para ser usado... Algo para servi de experiências futuras;

Eu quero ser pra você;
Aquele telespectador de seus voos e liberdades;
Eu quero ser pra você;
Um amante fervoroso e torcedor apaixonado;
Eu quero ser pra você;
Só uma parte deste mundão que espera para dançar contigo;
Eu quero ser pra você;
Palavras sem versos... Dizeres sem sentidos e ofuscados;
Eu quero ser pra você;
Um autor que com minhas palavras maravilhosas pinte figuras de histórias fantásticas as nossas vidas.
Eu quero ser pra você;
Intenções e Provocações;
Eu quero ser pra você
Esta contradição louca e desmedida;
Eu quero ser pra você;
Ser uma coisa e outra;
Eu quero ser pra você;
Tudo bem junto e misturado;
Eu quero ser pra você;
A vontade de mim esquecer pois você tem que viver outras pessoas;
Eu quero ser pra você;
O espelho onde você observe bem atentamente e confirme a degradação e destruição que é ser humano;
Eu quero ser pra você;
Tolices para manifestar em você muita falta de paciência;

Eu quero ser pra você;
Seu fiel cafajeste e esnobado;
Eu quero ser pra você;
A intenção vencida e derrotada desse suposto verso para lhe dizer algo;
Eu quero ser pra você;
Esta falta de criatividade que minha péssima memória só fortifica esta deprimente poesia;
Eu quero ser pra você:
Esse cansado de falta de criatividade para fazer algo sensacional para pelo menos valer a leitura de alguém;
Eu quero ser pra você;
Na verdade nem sei o motivo destes versos escritos para você;
Nem sou tão amoroso assim;
Só tenho pretensões de poeta;
Pelo menos fica o registro;
Dessa poesia sem graça e sem pé nem cabeça que tentei escrever;
Fim.

Uma pedagógica do indivíduo



Analisar o indivíduo em sua subjetividade perpassaria sobre tudo suas influências históricas e sociais, assim, estudar a nossa história humana seria legitimo se o resultado destas análises fossem usados para entendermos nosso presente. Marxinianamente falando, o indivíduo entendesse como tal a partir de relações de imposições e hierarquias ao Capital com todos seus mecanismos institucionais em diversos ambitos ideológicos: Global, Político, Estatal, Nacional, Religioso, relações interpessoais, entre outros, de submissão e alienação entre duas classes bem distintas (burguesia e proletário), desta forma, todas as mazelas e conflitos sociais de urgências mais íntimos deste indivíduo teria o Capital como pano de fundo e origens de todo um ideal de indivíduo social, com seus supostos benefícios, desigualdades e questões de raça. Em suma, o indivíduo e o Capital se “confundem”!
Um olhar Foucaultiano neste mesmo aspecto nos faz aponta que mesmo que o indivíduo tenha o Capitalista como base institucional e norteador de suas definições mais íntimas ele não é meramente produto do meio, pois, para além de uma questão meramente monetária esse indivíduo é visto neste grande sistema econômico com outro olhar, porque, temos que levando em conta seus anseios e sua subjetividade que muitas vezes é imprevisível mesmo com os avanços da psiquiatria que tem a função na visão do autor de diagnosticar comportamentos humanos para criar patologias para melhor dominar o mesmo.
O indivíduo e suas particularidades são suprimidas para ser enquadrado em uma forma que torna todo mundo igual para ser melhor dominado e submetido as imposições sociais de teu momento historio. Entretanto, essa submissão não seria plena, pois, apesar de tudo, sempre o ser indivíduo tem a capacidade de reagir e com as ações de sua reação transformar de alguma forma sua realidade. Grandes avanços nos direitos dos trabalhadores, Movimento Negro, Feminismo, Reforma Protestante, etc., são exemplos disto.
 Para impor ideologias para a classe trabalhadora a classe burguesa toma suas próprias alienações como verdade para melhor imprimi-las aos mesmos, assim, eles também são resultados de transformações históricas já que reproduzem comportamentos de sua época.

O favelado e o pobre não é só um indivíduo com acentuada melanina na pele, existe toda uma imagem (no sentido estético e social), que definiria o mesmo, ou seja, uma vida precariedade de recursos monetários, consequentemente, dificultando o acesso a coisas e bens  básicas para sua existência tais como só pra citar alguns: saúde, alimentação, transporte, educação, moradia. Desde sempre violentado em tudo e por todos na sociedade o indivíduo pobre e favelado de baixa renda aprende e enfrenta dificuldades para sua subexistência gerando as mais diversas revoltas psicossociais do mesma e em resposta direta a isto tudo na sociedade e como defesa destas violências praticam inúmeras formas de crimes (violência-resposta).
Só pra fortificar: desde cedo o indivíduo é massacrado com propagandas que lhe diz como deve se comporta e as coisas que deve consumi para ser integrado socialmente, pois, você é aceito na nossa sociedade quando você prática o consumismo desacertado sendo assim um autêntico ideário social. Exemplo: Trabalhador semianalfabetos com um entrego ruim que não lhe garante o mínimo para viver bem, com dois filhos, morando em casebres  e se possível sendo induzido a votar nos políticos indicados pela Grande mídia. Quando a classe alta se deleita com tudo que o dinheiro pode pagar. Quando o pobre não alcança este ideário tendo em vista a sua precarização de assistências básicas ele sofre penalidade de todo tipo de preconceitos canalizando isto para os diversos tipos de crimes como resposta. Esta precarização do acesso aos bens básicos de existência contribui para deixar o povo ignorante perante seus direitos e deveres assegurados pela constituição federal. Não quero ser determinista, claro que existem pessoas que conseguem ter uma vida diferente, alcança a tal dignidade que a sociedade prega, mas, ainda é uma grande pequena parcela do mesmo.
Deste seu surgimento no ano de 1950 a televisão se tornou a grande referência de cultura e propagador de informação e cidadania do Brasil, pois tomou o lugar da educação formal de nosso povo. Além de lazer a televisão como “O GRANDE MEIO” de veiculação de “cultura e verdades” dita todo tipo de comportamentos das pessoas no nosso país mais diretamente voltado para parcela da população pobre. Com essa enorme influência em nossa sociedade de programas televisivos como “Se Liga Boção”, “Na Mira”, “Brasil Urgente”, fazem um jornalismo sensacionalista onde exploram o medo, a ignorância e esta “violência/resposta”. Nunca vimos estes tipos de programa mostrar ou querer ter um debate crítico e construtivo do por que destas mazelas e violência. Apontam o problema já em seu resultado final não procuram saber as possíveis causas e como podem ser resolvidos. Mostram a vida animalização dos indivíduos devido sua vida de plena mazelas sociais para assim obter favores, Poderes e lançar candidatos para seus fins políticos.
Estamos vivendo uma grande crise, que é mascarado com apelo a um estilo de vida de consumismo, onde visa forma um ser social ideal. Mas não conseguimos enxergar que a maioria dos problemas do indivíduo é por falta de perspectiva de uma vida onde tenha condições mínima de subsistência e acesso a produtos e coisas que o consumismo lhe projeta para legitimar seu pertencimento social.
Temos normais jurídicas como o ECA voltado para crianças e os adolescentes e todos direitos assegurados pela Constituição Federal que é são os norteadores de condutas institucionais para pensar e agir diretamente em frente aos indivíduos, porém, algumas perguntas devem ser levantadas: para que serve leis e normais jurídicas? Como a nossa Constituição Federal e leis como o ECA e os agentes desta lei conduzem e entendem os crimes praticas? Será que não tem diferença entre crimes praticas por ricos e pobres? Será mesmo que políticas públicas de retenção e combate a violência tem o propósito de exterminar com o foco ou é só mais um mecanismo de aquecer o mercado de armamento? Será que não teria um propósito por trás de tudo isto?