terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Corpo Feminino

Cheio de representações e fantasias,
Tantos e tantos sucumbiram e deram a vida para a possuí-la,
Tantas e tantas magias já não foram escritas e marcadas na história para exalta-la,
Tanto já foi feito para domina-la,
Mas no final de tudo só resta querer,
De tudo que é de mais cheiroso,
 Com todos os odores gostosos de sentir,
Das variadas curvas sensuais,
Não tem coisa mais provocante e atraente,
Cada detalhe e gesto revelam,
Diz o que você quer sem pronunciar nenhuma palavra,
Basta observar e você ver o suficiente,
Se simplesmente algo agradar então,
Ah... A dança começa alucinante,
E pode aparecer coisas imprevisíveis,
Que despertar os mais diversos desejos,
 De lamber de morder e de se roçar,
De tudo que jeito e posição você idealiza,
Sem frescura e muita sofisticação,
É o encontro entre corpos mais perfeito,
É uma briga de pernas,
Um encontro voraz de lábios e línguas,
Um vai e vem constante de ancas,
É um pulsar forte de veias e artérias,
É uma vontade e agonia tão grande e intensa,
Que é impossível descrever com exatidão,
Que ti deixa louco doido para possuir e arrancar um pedaço,
Toda esta sensação vem definitivamente,
Sem dúvida alguma,
Do inconfundível corpo feminino.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Entre Mahler e Hendrix



Mas afinal, que teria em comum a musicalidade de Gustav Mahler um maestro austríaco e Jimi Hendrix um guitarrista norte-americano? Guardado as devidas proporções, aparentemente, cada um em sua época especifica teria técnicas e propostas musicais totalmente diferentes, porém, cada um de teu jeito inovou o tipo de música que ambos faziam com uma gama de experimentações. Dando exemplo e caminhos para gerações futuras. A técnica da música de ambos surpreende pelas inovações e principalmente pela falta de limites. E quando você pensava que nada mais poderia surgir destes compositores, eles apareciam com algo nunca antes visto. Tantos e tantos músicos posteriormente foram inspirados por ambos para criarem e produzirem música.
Tanto Mahler quanto Hendrix seriam personagens “anormativos”, ou seja, ambos fizeram de suas inquietações e excentricidades cada um de seu modo, um exemplo de resistência e criatividade, pois, se buscamos exemplos de novas possibilidades para criticar certas normatizações de comportamento e vivência social que definem um indivíduo na sua ambiência histórica, com certeza, estas figuras de subversão são parâmetros que devem se levado em consideração. Assim, a composição de ambos são fascinantes porque transmitem de forma forte a forma de vida estranha e diferente que os mesmos tem. São mestres  “desconstrutores” e “reinventadores” de música. Por isto posso afirmar que com eles poderíamos “sentir o cheiro da amoralidade”.
Estes compositores tão diferentes e contemporâneos na sua forma de fazer música atemporal, eu poderia dizer que eles provocam em nós seus ouvintes e admiradores, sentimento de reverencia por fazer uma arte que tem a capacidade de transcender o comum com uma sonoridade tão titânica e apoteótica, porque, ambos faziam música com visceralidade e com suas raízes culturais e suas realidades e verdades.
Eles são fantásticos por simplesmente se reinventam. Suas obras expressão uma rede onde o observador pode qualificar e escrever um mundo só seu. Eles tocam cada som do universo. Eles entendiam música como um mundo que deveria soar em seu pleno, porque, a verdadeira experimentação sonora teria que ter e abarcar todas as distorções oriundas da natureza em sua totalidade. Com um som forte que querer presença e soberba, ambos desenhavam a cada movimento, a cada refrão, a cada frase, a cada acorde, a cada riff, a cada vocalização nervosa e sexual, possibilidades que teria que demonstrar que em toda parte do mundo existe constantes confusões sonoras que é a mais bela das harmonias e que podem ser demonstradas e interpretadas como se queira. Recortar, montar e redefinir sonoridades, estes eram o papel deles. Em suma, uma capacidade enorme e natural de sempre se questionar e se reinventar sempre.
Para entende-los temos que captar cada vibração dos sons como uma porrada, porque, música é além de domínio técnico, dos infortúnios de estudar e pesquisar, visto que, música para ser completa e entendia, antes de tudo, deve ser ardente e sentida. Acho até que para ter algo a dizer a música tem que ativar sensações, prazeres, desejos, lembranças e dores, em fim, um vasto mundo de possibilidades. Gosto de música em detrimento das outras formas de arte porque a mesma é incompreensível pra mim, pois, se fosse o contrário perderia toda esta mágica, este deleite em ser apreciada! A música esta presente entre aquele que domina a técnica de compor sem emoção, sem frescura, com um rigor matemático, com um leve toque de frieza e virilidade (Mahler), mas, a música aparece também na sensibilidade na fascinante improvisação não menos rigorosa (Hendrix). Entendo que a música é a mais “democrática” das artes, porque, não precisaremos de conhecimento apurado e muito sofisticado para se fazer música. Basta só detectar as vibrações sonoras e criar suas próprias melodias com os instrumentos que você tem em mãos. 
Com certeza o que liga Mahler e Hendrix é a excentricidade e seu estado frenético de ser, é estar sempre na busca louca e desmedida da perfeição do último e quem sabe desconhecido acorde, pois, para serem o que são eles tem que ser sua própria música personalizada em si. O contentamento que sugue quando você ouve estes dois compositores se dar porque eles têm esta capacidade de brincar com cada sensação da gente. Em fim, foi esse comportamento anormal que tanto nos aterroriza e fascina ao mesmo tempo em que  guardamos sua arte e vida que a lembrança dos mesmo ainda permanece em nosso imaginário.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Uma carta aos amigos



Tempos de "JACARÉ" estão intensos. E a "tradição" masculina com sua virilidade fantástica sabedoria e resistência? Aquela saudável e tão cultuada por civilizações que até hoje estão no nosso imaginário como exemplo de força: Egito, Esparta, Samurais, Maias, estão cada vez mais perdendo sua voz, entretanto, nossa civilização tão moderna dos “pós tudo”, estão cada vez mais moles, especulativos, sem referencias, tendo tudo e se relacionado com tudo de forma imediata e vazia. Esta mesma civilização tão moderna é de uma fragilidade dignas de divãs, calmantes, e de patologias de todos nossos desejos e sentidos com uma intensidade enorme.

Coçar o pau, Babar quando vê uma mulher bonita e querer comer todas elas, usar barba grande, chamar uma mulher toda trabalhada na delícia de gostosa, gostar de comer/lascar mulher, ir no brega, gostar de putaria, ficar bêbado, bater uma puêta, ser um eterno apaixonado, ter satisfação de estar com um amigo seu, ouvir música brega, dar risada e ter preconceito sem agredir o espaço do outro, conviver com o diferente, ser forte e determinado sempre sem precisar tomar “remédios”, ser vaidoso, falar grosso, ter virilidade, dizer que tem orgulho de ser homem e macho, ser sensível, chorar e ter amor e cuidado por quem se gosta, usar camisa polo tradicional, falar besteira vez em quando, xingar, entre outros aspectos, parece que é um crime mortal. Isto não é ser determinado, pelo, contrario é gozar com o que você mesmo pode ter de melhor! Rsrsr...

Porém, confesso uma coisa para vocês, prefiro ser este homem criminoso que vive e experimenta intensamente com tudo que a vida possa oferecer com suas tempestades e harmonias do que ser um fresco colorido e medicado com fraquezas e desejos fúteis.

Tudo é doente, tudo é infelicidade e nada é encontrado, só surgem mais interrogações. Às vezes eu acho que os tolos são mais sábios do que qualquer sábio. Pelo menos as angustias deles são amenizados com pouca coisa!Realmente o sexo é o que é mais especulativo e mais íntimo e pudorado que temos, formasse escolas, novos nomes, discursos variados: viado, gay,transexual, LGBT’s, mas, os conflitos continuam os mesmo. Rotular e dar nomes não solucionam nada! Só geram indiferença, pois, o momento de agora é de poder tudo e ser indiferente a tudo é preciso!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Outro e a Religião



Este texto não tem pretensão filosófica alguma, pois, se uso termos e linguagem que lembra mesmo de forma vagam tal gênero do saber é só por escolha particularmente destes mesmos termos. Também não busco aqui nem o rigor nem construir alguma teoria nova sobre nenhum assunto. Assim, restrinjo-me exclusivamente em esboçar breves e curtas reflexões sobre o conteúdo do texto em questão.

O convívio cotidiano é laborioso... Tantos conflitos e alegrias tentamos administrar para termos o Outro do nosso lado que as vez nos questionamos o sentido desta persistência. O que sabemos do Outro é tudo que adquirimos socialmente. Somos existência porque somos seres sociais com tudo que esta relação possa nos dar.

O indivíduo na sua subjetividade envolvi-se em diversos aprendizados que leva consigo durante toda sua formação social e individual, mesmo que este indivíduo tenha adquirido certas influências comportamentais por ter nascido e ter tido certas orientações culturais em determinado lugar com suas singularidades locais. Criando assim, deste modo, condutas morais!

Somos capazes de transcender nossas próprias limitações morais, o mesmo espaço cultural que nos define é o mesmo espaço que o indivíduo usa para transformar-se questionando com o intuito de agir com maior coerência possível nos diversos assuntos que norteiam o imaginário e a vida do mundo inteiro. Agir com prudência seria então buscar o equilíbrio entre nossos anseios morais e colocar a ética em constante alerta.
Nossas cognições em contato com o mundo nos fornecem formas de experiências impares: relações afetivas, estudos, classes social, país de origem, lei jurídicas, política, cultura entre outros aspectos, que teríamos de usar como ferramentas para viver e respeitar o Outro com suas particularidades e singularidades e junto com este Outro buscar uma vida menos agressiva e mais harmoniosa. Pensar o outro seria uma ótima maneira de pensar nossa sociedade no que ele tem de mais abrangente. Como ponderar sobre comportamentos e atitudes de outras pessoas que não tiveram a mesma influencia social e moral para não cairmos no abismo do fundamentalismo?

As religiões em suas diversas fases soam como instituição, que tem suas prerrogativas e normas que norteiam toda sua tradição e diligência como grande órgão político de cunho global.
Sempre as religiões flertaram e bem com as tendências atuais de épocas diferentes em toda nossa civilização, pelo menos, quando estas Instituições surgiram e construíram forças e tradições em todo o mundo. O Religioso é fascinante porque não tem realmente uma explicação racional, pois, o conhecimento religioso é dado diretamente por Deus no contato com os escritos sagrados, ou seja, pura Revelação. Daí ser passível de inúmeras interpretações de todos os tipos. Porque para no entendimento ordinário alcançar o conhecimento da basta sabedoria divina não precisaria de uma analítica ou um estudo profundo e sofisticado de ninguém, pois, suponha-se que o divino conversar e mostra “o caminho certo” para o indivíduo só com contato com as escrituras, seus representantes na Terra (todo tipo de sacerdotes) e tradições sagradas, ou seja, o contato direto com estas coisas.

Por muitas razões a maioria das pessoas religiosas que tem fé em alguma coisa divina quando tem um problema rezam e rezam pra que esta divindade lhe iluminem com sabedoria, porem, quando um problema surgi na vida do mesmo em qualquer âmbito relacional, continuam rezando e não conseguem obter a capacidade de simplesmente sentar/parar para ver como poderia resolver este problema com diálogo, ponderação, decisões objetivas e sérias. Pois, ficam na inércia e querem que tudo se resolva por si só.
Rezar seria um simples palavrório consigo mesmo onde o objetivo seria retardar qualquer tipo de ponderação por medo e insegurança de tuas próprias certezas religiosas. Daí, o que vemos é a legitimação de práticas morais totalmente fundamentalistas. 

Distorcem tudo. Em um diálogo usam ainda de apelos emocionais e psicológicos, tentam toda hora e incessantemente usar contra a pessoa artifícios dos mais mesquinhos para ti dominar. Religião fundamentalista carrega e ensina o indivíduo o desconhecimento do outro e de si mesmo, torna-o insensato e dá-lhe o direito de fazer o que quiser usando qualquer que seja os meios para alcançar os seus fins necessários. Torna-o egoísta, incapaz de enxergar o outro com singularidade e respeito as suas diferenciais comportamentais socioculturais.

Claro que nem todas as doutrinas religiosas norteiam teus ensinamentos em preceitos fundamentalistas, pois, as formas de religiosidade são inúmeras em todo o globo e cada doutrina desta tem sua forma de agir e se adapta com as formas de conhecimentos ordinários.  Podemos ter qualquer prática que o conhecimento humano construiu durante tempos e tempos para seu convívio em sociedade para explicar, falsear ou legitimar diversas coisas no mundo ou simplesmente para buscar um bom viver. A questão central desta discussão seria como viver respeitando nossas diferencias em todos os ambitos relacionais de conhecimento dos indivíduos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vênus e o Mar

Venus é o corpo feminino suado, doce, cheiroso, macio, com cabelos sedosos, que expele feromônio onde quer que ela se mostre a contemplação, é um lugar perigoso/convidativo, onde a mão tremura e intencionada percorre cada curva, cada imperfeição, cada centímetro de um corpo que parece que foi feito para o amor, para a sacanagem, para moldar e confundir sentidos! Ela é a observação ingênua de alguém. Para o encontro de dois corpos vadios, que imitem sons selvagens conhecidos de todos, é aquele tesão desmesurado que evidencia a intenção do sexo e todo o silêncio posterior ao coito, é como aquela puta que mesmo que você a renegue, a espanque ela vai querer sempre mais e mais trepar com você, usar teu corpo e jogar fora no primeiro lixo, Vênus é o ponto G, é o orgasmo suplime e inexplicável, Vênus é orgia e depravação cotidiana, Vênus é paixão arrebatadora, Vênus é todo tipo de Brincadeira, Vênus pode ser tudo que você queira que ela seja. Vênus é a inspiração para qualquer coisa, até mesmo para a revolta de um vil racionalista.

Ela é todas as relações sócias dos Deuses do Olímpo, ela é a maçã que deu a liberdade a Adão, a inveja do Diabo e a mediocridade do Deus dos Cristãos. Ela na baianidade é Iemanjá, ela também esta presente na carcaça de um corpo envelhecido. Ela esta dançando como uma presa nua no salão pronta pra ser caçada e penetrada com toda doçura e violência. Ela é o membro masculino ereto e uma vagina molhada e suculenta com seios duros e perfeitos também Vênus é uma bunda bem torneada, Vênus é um perfume com uma fragrância indecifrável. Ela é pouco para sua extensão corporal de prazer. Vênus é o delírio permanente desta nossa indigesta vida mortal e frágil. Enfim Vênus se encontra perfeita quando nenhuma palavra pode descreve - lá.

O nascimento de Venus se confunde com os mistérios do mar... Venus a Deusa do amor tem por necessidade o Mar como teu mais fiel exemplo! O Mar é indomável, o Mar reflete o Sol como um espelho embevecido de todo tipo de vaidades, de malícias... Ele ti envolve, ofusca teu olhar, deixa você anestesiado com a própria beleza, ti coloca no meio de um saboroso jogo onde tuas duvidas e certezas servem de sala de star para toda a atmosfera de manipulações e fetiches Palacianas. O Mar assim como a Deusa Venus nos machuca em silêncio, sua calmaria é tão sutil que todas as ondas em candura recaem imponentes e destrutivas sobre a terra seca com uma desenvoltura mágica, para retornar novamente para teu lugar sempre límpido e inigualável. O Mar provoca suspiros, aguça nossas imaginações mais extraordinárias, nos ouvi quando estamos sentados a beira-mar e constatamos o bater de ondas nas pedras, o Mar apavora, o Mar é motivos para todos os tipos de suposições tolas para entendê-las.

O Mar é paixão, O Mar é Venus em carne e osso promovendo a mais pura libidinagem libertina com teu perfume mortífero. O Mar é aquele sorriso debochado, o Mar é aquele rebolar de uma anca pecaminosa, o Mar é uma virilidade na sua maior expressão, o Mar é um êxtase profundo, o Mar é presente como um estrupo de um corpo virgem, o Mar é tudo que quisermos que ele seja mesmo com oposições, o Mar é aquela mão afável que conduz você a harmonias agradáveis como um acorde perfeito! O Mar é perverso e suga sua alma, porém, o Mar é divino onde depositamos presentes e todos os lixos possíveis de serem produzidos. O Mar é aquela boca quente ardente que desesperadamente anseia para ser tocada e usada. O Mar é como um corpo tolo entregue e lambido, o Mar é ainda aquela fé dogmática que ti puxa para as profundezas de trivialidades, o Mar é teu porto seguro sem chão e referência, ele é o espelho maldito e sagrado do nosso reflexo social! O Mar se confunde também com aquelas mentirinhas providencias, o mar sucinta Poder e estórias incontáveis. O Mar tem a capacidade de se transformar em vários labirintos de sentimentos e racionalidades.

O Mar é aquele sopro ofegante do termino de existência! O Mar é o refugio, e o caminhar lento de uma nova ou qualquer vida como teu maior provocador. O Mar é aquele nosso medo irracional do escuro e o alívio da luz. O Mar é pura idealização, cobiça, o Mar incomoda porque ele sempre está ali no mesmo lugar recebendo ordem da Lua e mostrando a beleza do sol em suas águas. O Mar antes de tudo é o não saber falar dele sem segurança alguma, o debate inacabado, enfim, o Mar é o desejo insensato de liberdade, escrever além do horizonte de tuas águas profundas. O Mar é o Lugar onde Venus foi concebida com muito prazer, sexo e revolta, para ser este palavreado impertinente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Prefácio do livro História da Loucura de Michel Foucault

Deveria escrever um novo prefácio para este livro já velho. Confesso que a idéia não me agrada, pois isso seria inútil: não deixaria de querer justificá-lo por aquilo que ele era e de reinscrevê-lo, tanto quanto possível, naquilo que está acontecendo hoje. Possível ou não, isso não seria honesto. Acima de tudo, não seria conforme tudo aquilo que deve ser, com relação a um livro, a reserva daquele que se escreveu. Um livro é produzido, evento minúsculo, pequeno objeto manejável. A partir daí, é aprisionado num jogo contínuo de repetições; seus duplos, a sua volta e bem longe dele, formigam; cada leitura atribui-lhe, por um momento, um corpo impalpável e único; fragmentos de si próprio circulam como sendo sua totalidade, passando por contê-lo quase todo e nos quais acontece-lhe, finalmente, encontrar abrigo; os comentários desdobram-no, outros discursos no qual enfim ele mesmo deve aparecer, confessar o que se recusou a dizer, libertar-se daquilo que, ruidosamente, fingia ser. A reedição numa outra época, num outro lugar, ainda é um desses duplos: nem um completo engodo, nem uma completa identidade consigo mesmo.

Para quem escreve o livro, é grande a tentação de legislar sobre todo esse resplandecer de simulacros, prescrever-lhes uma forma, carregá-los com uma identidade, impor-lhes uma marca que daria a todos um certo valor constante.

Sou o autor: observem meu rosto ou meu perfil; é a isto que deverão assemelhar-se todas essas figuras duplicadas que vão circular com meu nome; as que se afastarem dele, nada valerão, e é partir de seu grau se semelhança, que poderão julgar do valor dose outros. Sou o nome, a lei, a alma, o segredo, a balança de todos esses duplos.

Assim se escreve o prefácio, ato primeiro com o qual começa a estabelecer-se a monarquia do autor, declaração da tirania: minha intenção deverá ser seu preceito, leitor; sua leitura, suas análises, suas críticas se conformarão àquilo que pretendi fazer; entendam bem minha modéstia: quando falo dos limites de meu empreendimento, pretendo limitar sua liberdade, e se proclamo a sensação de não ter estado à altura de minha tarefa é porque não quero deixar-lhes o privilégio de contrapor a meu livro o fantasma de um outro, bem próximo dele porém mais belo que ele. Sou o monarca das coisas que disse e mantenho sobre elas uma soberania eminente: a de minha intenção e do sentido que lhes quis atribuir.

Gostaria que um livro, pelo menos da parte de quem o escreveu, nada fosse além das frases de que é feito; que ele não se desdobrasse nesse primeiro simulacro de si mesmo que é um prefácio, e que pretende oferecer sua lei a todos que, no futuro, venham a formar-se a partir dele. Gostaria que esse objeto-evento, quase imperceptível entre tantos outros, se recopiasse, se fragmentasse, se repetisse, se simulasse, se desdobrasse, desaparecesse enfim sem que aquele a quem aconteceu escrevê-lo pudesse alguma vez reivindicar o direito de ser seu senhor, de impor o que queria dizer, ou dizer o que o livro devia ser.  Em suma, gostaria que um livro não se atribuísse a si mesmo essa condição de texto ao qual a pedagogia ou a crítica saberão reduzi-lo, mas que tivesse a desenvoltura de apresentar-se como discurso: simultaneamente batalha e arma, conjunturas e vestígios, encontro irregular e cena repetível.

É por isso que, ao pedido que me fizeram de escrever um novo prefácio para este livro reeditado, só me foi possível responder uma coisa: suprimamos o antigo prefácio. Honestidade será isso. Não procuremos nem justificar esse velho livro, nem reinscrevê-lo hoje; a série dos eventos à qual ele pertence, e que é sua verdadeira lei, está longe de esta concluída. Quando à vontade, não finjamos descobri-la nele, como uma reserva secreta, uma riqueza inicialmente despercebida: ela se fez apenas com as coisas sobre ele ditas, e dos eventos dos quais se viu prisioneiro.

− Mas você acaba de fazer um prefácio!

− Pelo menos é curto.

                                                                              Michel Foucault  

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ROSAS BRANCAS E UMA PSEUDOFILOSOFIA

As rosas brancas têm algo peculiar... Elas são passives a contemplação! Para um olhar comum ávido de aparencias imediatistas a rosa branca perder o envolvimento, o prazer do primeiro contato por ter uma cor “morta” que é o branco ela não brilha, ela não se impõem, ela simplesmente anseia por discrição, por uma atitude detalhada de observações nervosas, porem, com uma calma doce tão angustiante que chega a permear na sua existência branca a falta do espetáculo de um significado qualquer para que ela tenha qualquer vida e qualquer importância.

Para um olhar observador a rosa branca por ser branca esconde sutilezas, esconde sentidos outros, ela prende este olhar contemplativo numa atmosfera de indagações intermináveis. Sua estética é igual a outras rosas de cor diferente, porem, não é este o motivo de sua beleza singular, pois, ela nos conduz a descobertas de possibilidades de imagens de nossos desejos de mudanças, permanências ou idealizações do que venha ser o “real”.

Símbolo de beleza e adoração, cultuada como uma deusa da noite, travestida de seus espinhos maliciosos, a rosa branca codifica em gestos sua vontade, uma vontade interminável, insaciável de imposições. A rosa branca brinca com nossos sentimentos, ela nos seduz, nos envolve, nos confunde, nos provoca, retida de nos todo tipo de orgulho, de amor próprio, de uma tal maneira que passamos a não enxergar mais nada além de teu gostoso perfume, sempre à querer uma dose deste sutil e veneno  deleite.

Passamos a desejar e querer, até fazer coisas que antes não imaginávamos que seriamos capazes, ficamos cegos e sem senso, buscamos poesia nas coisas mortais só para ter a sensação perdida de paz. Renegamos nossa própria vida, o nosso Eu é servido em uma bandeja para ser bebida como algo intragável, algo sem nutriente de perseverança, algo para ser derramado no chão podre, onde todos possam desfilar todo seu ódio, toda sua prepotência.

Nosso choro de lamento regaria a rosa branca, e o que nos deixaria abismados é que esta rosa branca em momento algum tentaria dizer algo para nós, nem um vento a tiraria do teu lugar, de seu desdém com um mundo enlouquecido por suas explicações. E ela sempre ali pomposa, soberana, com um ar de deboche, só observaria nosso desespero por ela, nossas varias justificativas em defini-la, rica de tradições e seguidores infames a rosa branca moveria  guerras, justificaria as piores barbáries, verdades, mentiras e suposições apareceriam, explicaria qualquer manifestação de alegria, encheria de certezas infundadas e de autoridade uma estante cheira de teorias humanas, vozes falariam em teu nome, séculos e séculos passaria e teu nome seria louvado de todas as formas.

Muitos achariam que a conhecem, falariam dela com toda propriedade, diferentes nações reivindicariam tua origem e apontariam suas influencias dos quatro cantos do mundo, porém,  poucos saberiam exaltar teu nome. Ela passaria por varias mãos intrigadas e temerosas de tua beleza, modificariam a imagem da rosa branca para que ela não seja sacralizada ou afundada em dogmas. Surgiriam varias maneiras de contemplará, de tentar entende-la, venderiam conceitos ambíguos para poder chegar nem que fosse por um momento rápido a sua noção o seu juízo/entendimento. Críticas apareceriam para varrer qualquer duvida sobre sua beleza branca, clássicos ficariam a nossa disposição para sempre voltamos a nos angustiar com ela.

Todas as representações que possam ser direcionadas a rosa branca são representações humanas, assim, estas representações estão sujeitas a toda sorte de inferências conceituais, pois todos os pensamentos humano direcionam-se de maneiras diferentes sobre todas as coisas, tendo um mesmo conceito dependendo de sua abordagem (histórica, política, epistemológica ou gramatical) variações de um mesmo significado de um objeto qualquer.